Eu costumo dizer que os livros do Jorge Amado cheiram a mar. Foi o amor mais rápido da minha vida, li os Capitães da Areia em dois dias e fiquei fascinada com a escrita despretensiosa,descritiva e absolutamente encantadora do Jorge Amado;apaixonei-me por ele e mantemos um romance que já dura há alguns anos. Amado desenvolve as personagens a tal ponto, que ficamos com a impressão de que as conhecemos como ninguém, sabemos os seus medos,o seu passado, os seus tiques e as suas dores. As ruas do Brasil são desenhadas com palavras, desde as cores das pedras da calçada, às formas das nuvens no céu, às estrelas que são o telhado dos que dormem na rua. Esta é uma história de uns meninos,meninos que foram abandonados e que vivem num 'Trapiche' ,um refúgio escondido numa praia.Para sobreviverem estes miúdos organizam roubos e controlam a Bahia, Jorge Amado mostra-nos bem a dureza de vida destes rapazes, os problemas com que lidam, a discriminação social que sofrem e principalmente as carências que cada um tem, a falta de colo e de tecto. O líder deste grupo é o Pedro Bala,um moleque que tem a coragem de um leão e que dá a vida por todos,Pedro é descrito sempre com um durão,pragmático e decidido merecedor do respeito de todos.
Isto é uma história de rua e de abandono, mas é também uma história de amor, o lindo amor de Pedro Bala e Dora. Um amor entre duas crianças com preocupações adultas, que se descobrem e se entregam um ao outro com a ingenuidade de quem nunca conheceu a hipocrisia e a mentira. O livro é um conto de fadas urbano,com muitas histórias de "heróis"
É sem duvida o meu livro preferido de sempre, aconselho a todos.

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